Algumas palavras em pensamentos tortos, Numa tentativa caótica de bater asas e voar...
11 de abr. de 2007
Desilusão ( O último fim do que se foi )
Se disfarçou como um simples desejo
Na tentativa de forjar esquadros de nós
Em nossa cena de santos diabos num beijo
O último desenho pairou em seu olhar
Como rabisco de felicidade
Nos lábios tristes
Num canto sem voz
A última vontade insana
De permutar meu corpo no seu
Lábios, pêlos, mãos e sons
Se desfez como fim de sono
Despertar desesperado
Subito fim do que já era acabado
Nossos desejos dispersos no nada
Olhos que a horas passadas após essas
Desejariam nem ter te encontrado
Nem seus lábios sentido os meus
Pra nas horas que vem após essas
Ainda querer sentir
Deixe meu olhar fugir
E não me impeça de durmir
Pois o que tanto queríamos
Figurou-se enfim
Um equilíbrio perdido
Um feliz fim
Pois eis aqui meu bem
Dedico a ti
O nosso pecado perfeito!
28 de mar. de 2007
Elevada imensidão ( Ou serra da fumaça )
Onde o carcará canta e faz saltos no ar
Eu tento ganhar asas e voar
Onde os pensamentos são dispersos
Tateando a imensidão
No mais alto dos desejos
Tal qual a positiva vibração
Soam ecos do bem
Para aos ouvidos de meu bem
Se fazer assoviar
Pois bem o que a gente não tem
É o nosso maior bem
Em que da livre
Um leito lento e fundo
Manso e negro
Por que todo bom fim
se acaba num novo começo
14 de mar. de 2007
A ultima lembrança até então (ou Em carne morta)
Gargalhadas rasgadas em trapos ecoavam
no vão que ocupava todo o espaço entre os giros de meu cérebro,
interrompidas somente pelo barulho
insitentemente produzido por um isqueiro sendo acionado,
no outro canto do que eu julgava ser uma cozinha.
Agora sei que não estou só, consigo até enxergar algo,
com o auxilio de um ponto de luz produzido por um cigarro aceso,
entre dedos um pito apertado.
As palavras que ouvia não eram conhecidas...
Foi então que tive mais uma visão: Havia um carro e eu estava lá,
Em algum lugar entre os pneus e o para choque...
Eu havia morrido... Mas como?
E esse cigarro quem o segurava?
Beije-me os pés!
Aquela voz... Parecia-me conhecida.
Era a voz que toda noite me dizia pra não temer
Pois o razoável é vão
E o que realmente importa não podemos alcançar...
A silhueta então se fez clara,
tão clara que por um instante fiquei totalmente cego
Quando retomei a visão Estava eu diante de mim, eu só...
Olhando pra porta de minha casa aberta,
Lá fora corriam meus filhos,
em direção ao ponto de ônibus
Passei a mão no rosto e novamente esqueci
Conto-lhes assim que lembrar.
8 de mar. de 2007
°°Frequência°°
Em um largo espaço de probabilidades
Vi meu corpo rente ao tempo
Livre em mente
Vivo constantemente
Os sonhos queimam livre
Liberdade!
...
Os jornais já não dizem o que gostaríamos de ver
Sentir; sorrir; pular;correr...
Viver!
Contração; Contração; Contração;
Sintonia!
Outra vez
Sintonia!
...
Pra viver
Um pouco mais de sintonia.
...
Uma palavra para aliviar
Uma gota para molhar
Um infinito para buscar
Semente para plantar
Corretivo para disfarçar
A farsa
...
Numa freqüência demasiada iludi e formata
...
Sentar e ver
...
Correr; tentar... Pra olhar e ver talvez Trasmurecer.
...
Resta a esperança
A esperança
...
Mais ilusões pra viver.
19 de jan. de 2007
Bem astral (moça do litoral)
Estava lá eu, eu só
...
Estava
...
Vendo o dia chegar e passar
Vendo tudo nascer (florescer) morrer
Foi quando avistei no alto um ponto mais alto do que já havia imaginado
Sendo você o ponto no alvo
Tão bela tão linda
Gotas de cristal
Flor do litoral
Beleza surreal
Serena sereia do mar
Paralisando meu ser
Cristalizando meu viver
Pra viver...
Você se vai a noite cai o dia acaba
E tudo se vai...
Mas o sonho...
O sonho Não morre jamais...
E lá eu só... Estava lá...
Vendo o dia chegar e passar
Vendo tudo nascer (florescer) morrer
12 de jan. de 2007
travessia ao outro lado (O menino e a rua)
Como quem encara o opressor
Um desconhecido sedutor
Apertou os dedos na correia do chinelo
Suas mãos suadas
Apertando com rigidez duas moedas
Esperou o cavalo de metal se esvair em suas vistas
Sentiu o seu momento
Esse era o momento sólido
A passos rasos seguiu avante
E nem iria voltar
O sol sobre seus ombros
Não havia dragões
Nem libélulas gigantes no céu
Ele iria chegar
Já estava no meio pro começo
Ou no meio do fim de seu ato
E os maiores o olhavam desconfiados
Mais ele seguia reto
Pelo ínfimo intento de voltar
Os altos chaminés não iriam o parar
Conseguiu a calçada alcançar
Reparou a vitória no intimo
Chegou até trupicar
Mais três passos largos
Seu luzeiro já podia avistar
Nem o bixo papão poderia evitar
De seu fado do dia alcançar..
Entrou pela abertura de entrada:
-Seu padeiro, eu quero uma broa!
10 de jan. de 2007
Lei nº 1.807 ( ou Sodoma)
Cabe apenas um sorriso
Um coro de almas
O chacoalho do guizo
Entre gritos de apelo
o metal corta o vento
Uma marca feita a brasa
descansa em seu ventre
toda noite entre as curvas desse céu
entre um feixe e outro de claridade
a sombra do oculto usa o véu
soprando no ar da vaidade
Mais um soneto de saudade
E pela manhã o sol não brilha
Todo encanto se perde
E as lembranças são ilhas
Cercadas pela maldade
As lembranças são ilhas
Fingindo identidade.
9 de jan. de 2007
Caos em 3ª pessoa
-Corre menino, que o seifador já vem!
e pula o muro
e corta o vento
e emudece as palavras
estava ali caido sobre se
em cima da propria ferida gélida
tão natural como o parto na senzala
veio a sentença:
-A vida lhe foi tomada
a mesma vida que outrora lhe pertencia
agora descansa entre outros muros
em outras toadas de berrantes
mais um entre os meus tantos burregos
como em uma profecia:
-findou-se por ser pó.
Queda livre (ou conto do indigente)
a história mais uma vez me fez acordar
e ninguem vai me fazer desistir agora
os seus olhos são os espelhos,
mas as luzes cegaram-me as vistas
se todas as janelas estão abertas
então temo por minha vida
nos flancos entre as mesmices do nosso cotidiano,
busco agora um salto que possa acalmar toda a dor
no silêncio do meu pranto
entre o primeiro grão de areia
e a lona entreaberta
aqui ou em outra estação.
4 de jan. de 2007
Amanhecer (moça da saia verde)
A luz em seus olhos nascer
E as ondas desenhos nos faz
No céu o sol conceber
Rasgando o silêncio do ar
Teus pés areia e sal
tocando as pontas do mar
É onde me perco na vontade
E o horizonte pode espiar
Em ti eu me atirar
Em seus lábios os meus
Os pássaros por nós cantar
Poder sentir os seus seios
Trasmutando calor
Transmitindo amor
intenso
pecador e passsageiro
E a lua vai sumir
E você vai fugir
Pode fingir
Se talvez
você pensar em ficar
Até o sol vai sorrir
E as ondas vão cantar
Cantos de ilusão
coração
Ter você pra mim
E a noite morreu,
E o sol vai nascer
Pra você
Que nem conheci...
Ad infinitum (ou quatro amigos numa tarde de sol)
irmãos de vida,
dividindo esse mesmo cordão umbilical que poucos vêem,
sem ciúmes, inveja ou pena!
que caminhando só
por rotas tortuosas
repara que só não está,
e não prescisa desse mundo mutante
para se interligarem,
O outro qualquer falou
somos herdeiros de um só terreno,
somos todos herois compartilhando
um mundo pequeno,
salvando uns aos outros...
e no alto do morro que somos,
cabe apenas dizer que impreterivelmente,
sejamos todos uma só
fonte intermitente
como fora o rio,
então um outro disse
e nem se sente que começa ,
mas faz de tudo pra não terminar,
assim como o horizonte no mar,
inicia-se num certo lugar
e mesmo com todas ondas a enfrentar,
se for realmente verdadeiro
consegue perseverar,
e como belos irmão
chegam ao lugar
predestinado...
mar,
sangue,
irmão, amizade, ondas...
e um outro olhou e sorriu..
e os corpos ocuparam o mesmo lugar...
por Adriano, Gleydson, Jairo e Judah
11 de dez. de 2006
A senhora, seu neto e a rua
Com esse mundo que é brabo,
Esse mundo é cão, criança,
Cão astuto e voraz,
E de tudo ele é capaz,
Pra num te deixar se assussegá,
Repara por onde vai pisá,
Deixa os zóio sempre aberto,
Pra ele não te aderrubá,
Ele vai te aperriá,
Vai tentar te amedrontá,
Mais não deixe ele te calá,
Mande ele se daná,
E continue a feliz cantá,
E se ele tentar te convencê,
O fure no bucho pra ele se apercebê,
Que vóis mincê,
Num é qualquer ser,
Que se deixa aprisioná,
E agora vá lá pra fora
Pru mode ocê com o mundo brincá,
Pra Lívia
ela é bela e pensante
é um ser em fuga constante das amarras sociais,
ela para e olha o que eu não sei,
ela ousa sonhar,
ousa desejar,
e tenta voar,
ela é serena e forte
talvez menina, talvez mulher
ela e Lívia,
e com ela quero voar.
10 de dez. de 2006
Cavaleiro de Latão II
A omissão do real é a redução da dor ,
De olhos fechados sentimos menos medo.
Repare quem és cavaleiro !
Humano fraco,
Tropeça a cada passo,
Com suas pernas fracas e finas,
vai tateando até não achar mais paredes ou grades.
És um boneco de fantoche apenas cavaleiro,
de um palco sem platéia
Sinta a ardência que o sol lhe causou na alma,
As cordas rasgam a sua pele
mais a todo nascer do sol elas estão lá,
Em seus ossos fracos!
De uma alma simples e orgânica
que tampouco o sacia em seu cognitivo!
O que importa então ser comum?
Alguma coisa realmente importa?
...
por Adriano e Judah
9 de dez. de 2006
Simples Querer
Porque não sou senhor do tempo;
Não te juro um amor bonito,
Pois a beleza é questionável;
E não te juro um amor perfeito,
Porque a perfeição nem existe.
E se existisse
Por si só seria imperfeita.
Não te juro um amor pra recordar,
Porque iria haver de te esquecer antes;
E nem te juro um amor puro,
Pois amar já seria o nosso próprio pecado;
Mais te juro amor intenso enquanto amar;
Te juro um amor imperfeito,
Pra sermos dignos de redenção;
E na falta do que fazer,
Que a gente fique de ponta cabeça
Pra fazer tudo de novo,
E possa inventar a nossa liberdade.
Só te juro um amor tranqüilo
Enquanto amor;
E em tanto pensar pensamentos impensáveis
Pensando como não me apaixonaria
Por você,
Eu decidi parar de pensar;
Só querer,
Então me queira também!
Por que as coisas são quase tão simples,
Assim,
como um simples eu te amo!!
Não, Talvez sim !
E em ser enrolado em simples camadas,
As cores de sua tinta se apagou,
E dos seus dedos em calor,
O último romance se findou,
E da cinza que restou?
Na tinta em seu olhar
Finos fios de linha nos segurou,
Perto de perder o amor,
Um amor pelo vício,
Nos lábios seus,
No escuro do céu,
Em uma lua azul,
Mostrando se em desejos irreversíveis,
E no fim do amor?
Talvez chova,
Talvez um erro,
Talvez falte luz,
Cegos?
Talvez falte a ciência da natureza inconsciente,
Talvez falte o plasmo do desejo mútuo,
E em nós
Reste apenas nós sem nós,
Pra reparar em nós o que nos faltava
Pelas nossas nessecidades
Adquiridas da alma
Transparente e sem cheiro,
Desejos?
Sim, talvez não.
Cavaleiro de Latão I
De chinelo
Buscando o que nem mesmo sabe,
És um guerreiro errante,
Sua arma
Um canivete suíço,
Em sua armadura dizeres estranhos para ele
" I LOVE N.Y.".
Mais o que ele tem de bom?
O horizonte é a sua razão,
Aquela linha que divide o líquido do seco,
Mais ela foge de nós, dele,
Ela tem o que queremos,
Ela ostenta algodão doce e anil,
Ela vai muito além do que se vê,
Só que os que nos seguram pelas cordas
Não querem nos deixar ir até lá,
Onde ela repousa, onde ela se cruza sobre si,
Ela é simples e fulgás,
Ela está no visgo da palavra,
No gosto amargo do imperfeito,
Ou perfeito?
E o cavaleiro cheira ao pó,
Tem os pés calejados pelos cascalhos
Cavaleiro fraco e só,
Face marcada pela espinheira
Olhos secos como o sisal,
Procurando por um resquício de luz,
A luz das mãos do poeta.
Mais ele nem sabe o que busca,
Como a reconhecerá quando a encontrar?
Talvez ele não deva buscar...
por Adriano e Judah.