12 de fev de 2012

Linha 1231



Primeiro ela entrou,
E aí veio o silêncio,
E então houve  movimento,
Mas seus olhos não se olharam.

Primeiro ele afastou,
E aí veio o aperto,
E então houve balanço,
Mas seus olhos não se olharam.

E ali eles ficaram,
em meio aos sussurros,
numa linha tênue,
entre o vento e palavras.

Mas aí veio um contato,
uma respiração leve,
um raspar de braços,
uma pele em febre,
um olhar de lado,
uma fuga breve,
um desejo apertado,
com um sorriso acanhado,
Mas seus olhos não se olharam.

E então veio o espaço,
e a atenção voltou-se ao cabelo,
e a atenção voltou-se ao relógio,
e ao universo em seu redor.

Porém uma corda foi forçada,
um aviso declamado,
uma luz iluminada,
um adeus não falado.

E o ponto então chegou,
E então ela saltou,
E então ele procurou,
E foi, então, que seus olhos se olharam.

    "pode sim, duas vidas...
   ...sem amor, sem palavras, sem sentido, nem ciência...
                   ...numa eternidade de cinco minutos". 

22 de jun de 2010

Vida Viena


A passos curtos
de tamancos, Iam;
Colombina e Arlequim

Ainda dançam mascarados
e o desavisado Pierrot

Sou como O Entristecido
A noite bailo sob mascaras
enquanto minha Colombina
passeia com o Desgraçado

Pombo correio

Ninho de pombo
em cima do telhado
ouvi eles cochichando
os correios vão entrar em greve!

Vou madar minhas cartas
Pelo vento
Mil Beijos e Dois Aneis
Quer Casar comigo?

21 de jun de 2010

Bolo de Maçã

Seus olhos luxuriantes
brilho em tom escarlate
posto em verso de cordeleiro
varejando a minha fronte


Seus lábios, porventura e de propósito
lascas de algodão e pura seda
soam como mil tambores
Ou como sussurro fino de flauta doce

Eu Peço!

Um minuto a menos
Dois mil anos a mais
Só para estar com você

Tic-Tac

Tirando os dias que ainda não passaram
sobram-me o passado e o presente
Novesfora ontem, ainda temos outros tantos...
qual a medida exata do tempo?
a bem verdade não são as horas
Tão breves e incertas
O tempo não tem definição, muito menos conjugação
Tic-Tac!

25 de abr de 2010

Primavera Astral

E é com extrema Felicidade que anuncio!

É chagada a Primavera!
tão aguardada estação floral
não a primavera convencional
não a estação do ano...
refiro-me a Primavera Astral
Foi-se todo o Inverno
É chegada a nossa próxima estação,
a primavera dos meus sentimentos
está completamente florida de amor
pronta pra tornar-se única e eterna.

18 de dez de 2009

Liberdade?

Brasil, Dezembro de dois mil e nove

Grito alto aqui ó!

do trópico mais ao sul

-cadê minhas chaves?

Ah esse maldito imperialismo...

23 de out de 2009

Estação Glacial (ou Inverno astral)

Acabo de rasgar aqueles velhos papeis amarelados
que manteram vivas as esperanças
como se fossem, para mim, a certeza do compromisso firmado

No sexto ano após o inicio do nosso verão
eis que surge o primeiro inverno
algo me diz que é para sempre
ou pelo menos até a proxima estação

12 de set de 2009

Cuidado?

Sabe aquele medo de falar,
Medo do fim de tudo, do mundo
Medo do meio ter fim,

Me dá um abraço?

Tranca (ou Cadê as chaves?)

Quando a verdade é roubada
as grades deixam marcas no corpo
fazem tremer de medo, perder a calma

O tempo torna-se números
e menos importa quando o alarme toca


As Asas da liberdade batem fortes
levantam a poeira acumulada sobre o sossego
faz tremer de medo, a dor da alma.














4 de ago de 2009

Moço Moleque Guri

Vezes naquele mesmo compasso, após outro silêncio,a pé,
no peito do Moço moleque guri
otimista com a vida e com os fatos a sua volta,
sem saber ao certo a mudança da razão,
sentiu-se só.
Desviou-se do escudo,
Deu-se o peito invadido por sentimentos injustos,
contrariando toda a paz que o rodeava e que teimara em fugir do antro.

Hoje, e uns dias assim traçado pelo dia
torna a um amargurado sabor,
desbravando o começo da rotina habitual
aquele moço consegue perceber a razão, e isso o confunde.
Como ligar traços claros de pura doação em riscos de desamor...!?
consigo deixar de pensar,
mas não sei a resolução desta formula.
Onde está a pura fumaça daquele futuro?
da demasiada imersão, da segunda ação ? e dos pós?

Vive por dez,
joga-se na tênue sinfonia da imaginação,
Perde o sono,
busca entender o álibi daquele amor,
que parece se definhar sobre as mãos trêmulas, com respingos de tinta vermelha
e os sentimentos sobressaem no meio desta barafunda de idéias.

Teima em não passar...
revolta-se,
e se julga tão cortante quanto a lâmina da língua,
Vivendo a língua do seu próprio ser.

Moço Moleque Guri.

6 de jul de 2009

Aquela mulher (ou Rabiscos pra Marta)


Ei,
Olha daí,
faz de tua face o meu sol,
faz de seus braços meu ar,
e me abraça,
sussura em meu ouvido
aquela sua música preferida.
Fica aí,
olhando de perto,
em sua existência eterna,
porque eu te sinto,
na essência de minh'alma.
Enquanto eu fico aqui,
lembrando de seu sorriso,
daquele lindo romance moleque
seu e de Seu Zé
no corredor de nossa casa,
daquele sabor do almoço de domingo,
da reza às seis da noite
e do beijo de bom dia.
E só assim,
aqui no meu pranto,
que esconde a falta de você,
e aqui no meu riso,
que canta aos céus de feliz
ter cantado com você.
Só você, mulher,
dona de quatro homens,
moça de um, mãe de três,
tão serena e forte,
a menina mais linda
que passou por aqui.

só a ti
que dedico estes rabiscos.

mas espera aí,
que quando a gente cansar desse lugar
eu te encontro de novo pra te dar um beijo,
dizer que te amo,
com uma daquelas rosas do nosso quintal.

" e eles dizem:
- chora não, ela repousa feliz no lugar mais lindo!
eu digo:
- nasceu mais um anjo, e seu nome é Marta!"


"e ela deve tá dizendo:
- louvado seja todo amor desse mundo!"

29 de jun de 2009

Sobre ela por ele ( ou Ele na alma dela)




rotula moça,
rotula esse teu bem querer,
destrói a quem te faz feliz,
sem saber do suicídio que sua alma faz
ao ser cega na claritude dessa existencia.

e dizem o que ele é,
e diga quem bem ele é,
e diz ainda que ele foi te ver
e depois se desfez por ver você.

E se na transgressão inventada ele se desfizesse
ele se tornaria algo mais,
mas é tudo tão plastico,
como esse amor, de tão frágil
que se fez inventar quem o amor deve ser.

mas deixa por aquele lado,
por que lá nada e nem mesmo sonhos
retardam a solidão
que se guarda no segredo,
algo como teu olhar.

E se voce ficar sem alma pra falar,
essa caliente mão vem e te faz suspirar,
essa paz.

pois nas beiradas da vida
a paz passa rápido,
depois tudo vira tédio,
no mais o abismo aí fica,
mas bem aqui,
na minh'alma se desfaz.

por Joab Costa

27 de mai de 2009

Muito longe sei

Longe, muito longe sei
Perto demais pra nao ter fim
Continua a andar,
E sempre vai

E nem existe falar.
Nem "o que" dessas idéias,
de onde nasceu o homem?
Não desse espaço que ja não suporta esse brincar
Nem amar,
Enquanto o olhar mais igual
ficar exposto á praça de metal

Isso é mais do que eu posso imaginar,
Nossa calma passou, senhor do mar
Ia nessa profunda dor angustiante
Pra te mostrar que nao te dizia te amo
Por que só sabia te amar
Mas ja não é tao incoerente custar o  sentir,
Que sinto agora  paz.
E então  o nunca se torna real.

Está mais perto agora,
Mas muito longe sei

Lagrimas vermelhas tal qual um desejo de se ver
E depois a não graça de perder o viver
Nesse jardim de cores, tantas cores
Digo que vejo uma só
A alegria nao eh a mesma
Cada fim tao diferente quanto é o unico início

Se agora é mais esquisito viver amarrado alí
Dai a liberdade arrendada
Vá se libertar em outra viagem
Deixe essa alienitude, papai noel nao existe
Deixe de alienitude, papai noel, meu herói


A luz é voce
Não, a luz pra sempre é voce
E o pra sempre nunca acaba
Te digo nunca vou deixar de te amar
Poeta linear
A faculdade da vida

por Joab Costa

23 de mai de 2009

Status?!

Tantas borboletas
Morcegos, pássaros
O que são essas espécies
voadoras?
Eu cai no riso, 
No fundo do poço
Me jogo da janela
Despenco de precípicios,
Regras criadas por min.
O medo está longe
Só existe vontade de viver,
De me lançar no nada!
Ideologias' que não servem
Para nada!
Para que servem as ideologias'?
Somente para dividir grupos,
Para criar vínculos!
Lithium’ por favor!
Me traga mais um pouco disso ai...
Me deixe como eu devo estar
Entorpecido, sóbrio...
Sabe porque as flores murcham?
Porque lhes faltam sentido,
Ânimo.
É chato ouvir a mesma coisa "você é bonito".
Até as flores se cansam
Será que não percebem
Alem da beleza existe
Coisas mais bonitas:
O facínio, a paixão...
Estou olhando a rosa que
Você me deu.
Ela está no vaso com água
Ela precisa de algo mais
Que água!
Ela precisa secar para se libertar
Para que o vento leve suas
Pétalas... Para ser livre, voar...

Nossa que piegas esse lance
De flores! ha! ha! ha!
Muito doce.

9 de out de 2008

CONSCIÊNCIA

Na margem do erro
estando por um único trís
é quando se chega as mais sabias conclusões

Pensando na falta do que se dizer
ou lembrando das coisas que diz
é quando se ouvem os melhores sermões

Gritando em solidão
ou estando com quem se quis
é quando se projetam as mais intensas dores

Na estranha linha que tange
as margens da sanidade
é quando descobre-se que a loucura
são as mentiras que nos contaram no
passado, refletidas em um espelho grande
chamado: CONSCIÊNCIA

30 de ago de 2008

Um talvez alívio

Será assim ?

A desvença do tempo
com o desejo de prevalecer em mim
foi magnífico
Mas querer voltar atrás
e te dizer "te amo"
seria como querer arrancar o último suspiro
do que ainda vivia.

E se sobram-me as lascas
faço delas sua coroa
E quando me derem a mão
lançarei-me em queda livre
Em busca do inatingivél.

" Joaby Costa - um talvez alívio"

31 de jul de 2008

...



Só... No sentido oposto do que ponho sobre a tela,
só aqui consigo expressar minhas ultimas lágrimas
e com gosto de tinta em minha alma.
Meu ser salta... Numa pirueta livre
Idéias bordejam no mar do tempo
Mostro-me, E meus pensamentos tornam-se leis.

Cantarei até que me falte a voz
Até que desfaleça minha alma
Pois vivo por cantar e canto para viver.

Soluços misturam-se ao silencio da noite
A frieza do escuro não impede meus batimentos.

Volto-me ao simples, milhões do que nunca foi bastante.
Dentro da trouxa: sorrisos, abraços, amigos, esperança, fé...
Por dentro, um só coração,
Que pulsa ao ontem, ao hoje, ao agora,
à eternidade deste ser devaneio.


2 de mai de 2008

O Vivente


"...

Em minha própria gravidade

Sufoco-me com gotas amargas de prazer

Com uma recôndita euforia seguida de desilusão.

Tecendo a seda do viver!


Assopro ao sopro do vento Palavras... Um canto... O qual

Define-me e me mantém!

Canto saboreando a real certeza de que não morri.

E entre um silêncio e outro, despejo.

Palavras que ninguém ouve.

De vendo e vendo a vastidão ilimitada dos amores

Que se fundem com os domínios inelutáveis

Que não alcança a claridão de nossos dias...

Ponto na incerteza... Abra os sentidos,

Ainda ando pelas curvas...

Sobre as linhas...

Um quadro, desgasto com o tempo,

Com a cor viva por dentro...

Ponho-me a andar...

Ando por ai!

..."

23 de fev de 2008

Que se va (Lívia)



Y ella va bien
Con su pelo de color amarillo
Con su sonrisa del tamaño del mundo

En sus ojos haciendo caso omiso
Guardia una luminosidad aguda
Que escucha y sigue adelante
Quién tiene un sueño pra volar

Y ella va bien
De esta manera audaz
En una forma leve
Tratando de mostrarle
Que este paraíso lejano
Hacemos aquí

Y no espere que se va
Debido a que ella va bien ...

13 de fev de 2008

As Ultimas Consoantes

Só esta noite invernal,
só aqui consigo escrever minhas ultimas consoantes
e mesmo com gosto de tinta
minhas salivas saltam da boca
escreverei até que me faltem as letras
pois a larguras de minhas paredes
silenciam meu gritos de dor
a frieza da carne não propaga meus batimentos.

Em volta milhares de milhões nunca foram bastantes
por dentro só a tua imagem parece clara
como se me faltasse as outras memórias
todas poucas, agora nada,
para a eternidade dos nossos abraços.

5 de fev de 2008

Os Dias ( Ou memórias de um quarto vazio )





Entre dias cinzas eu pairo
riscando sorrisos amargos ao nada
desenhando lágrimas
nos braços da solidão
esboço memórias passadas
em palavras tristes
Mais entre palavras e sonhos
ouso gritar para o vão
pra o só
ser só mais fraco então
pra esse sorriso
ser amargo mais não
nele cabe um mundo
cantando sempre riso
o vivo
e o motivo
de ser feliz
e à solidão cabe o tempo
destroçar
derrubar e derrotar
e bate ao peito o calor
reclamar à si felicidade
sem temor
e o dia se faz azul
nem estás só assim.

UM MUMENTO!

...

Eu era eu que encontrou tu

Que era eu que encontrei tu

Vendo tu brincar, vendo tu andar;

vendo tu comer, vendo tu sorrir,

Via meu coração sorri!

Mas e agora que eu to aqui e tu ta ai?

E agora que tu ta ai e eu to aqui?

...

Eu te dei meu “Chambertin Le Roy”

Pra te ver feliz...

Mas num previ o que podia vir...

Agora eu to aqui e tu ta ai?

Tu ta ai e eu to aqui?

...

Tu vai caminhando e eu te olhando

Ate onde minha vista pode observar

Tu num vai tornar

1/1 num é um?

E eu?

30 de ago de 2007

Terceiro lugar (rapto do algoz)

Em mais uma de minhas andanças
chego ao meu terceiro lugar...

Ontem, como de costume, fui a uma cartomante.
Fiquei horas ouvindo ela falar de mim.
Contou-me que eu era filho de um senhor cego
que morrera de fome e de sede
disse-me ainda que ele guiava meus passos

-até aqui não havia entendido o que ela queria dizer com isso...

lembrei que ela sempre falava de minhas vidas

-isso sempre me deixava incomodado;

como pode alguem saber de mim o que nem eu mesmo sei?
quando sai, me dei conta que tinha deixado algo para trás
olhei para o chão, até a porta vi somente um tapete onde lia-se; "Seja bem vido"
Pensei que ser bem vindo em um lugar como aquele não era previlegio meu.

-Até que estou indo bem, pensei...

...pra quem deixou o corpo ingenuo num terceiro lugar qualquer...

23 de ago de 2007

Falar!°º

"
.. posso ficar sem falar?

posso ficar sem falar mas nao sem notar!
na verdade os mudos falam o que o mundo nao ouve ... os surdos ouvem o que os olhos nao veem ... e os cegos .. vem o que ... que deixam passar sem perceber ! "

1 de jul de 2007

Desejos amarelos



abrir os olhos
Parar de prever parar de sonhar

Não vou tentar ser algo que não sou

não prefiro me perder num devaneio molesto de fingir estar vivendo , quando apenas sobrevivendo e hipocritamente sendo controlado ..

não tenho de suportar essa muralha de opressão contra ser humano e o ser humano...

o ciclo dessa avelhentada corrente , ganha força a cada renuncia a um pedido de socorro , a cada sorriso triste no rosto , a cada bala perdida .... minha alma clama por intrepidez ... o medo da solidão vive a sufocar-me a me matar sem pedir perdão..

estou me afogando nas lágrimas deste fim
mas são lágrimas vermelhas que molham o meu jardim

20 de jun de 2007

O Cavaleiro de latão III (A saga do Sr. Errante)




E o que realmente importa?
Aí parado,
Secando calado,
Sufocado por enormes prisões de concreto,
Numa tentativa de tocar a palma do céu,
Prisões gélidas, cinzas e altas,
Pra onde olhar cavaleiro errante?
Se o que há é só essas luzes sem calor,
Em meio a fagulhas de almas andantes,
Humanos,
Esmagado pela solidão da humanidade,
Faíscas de fogo coroadas de espinhos
Um caleidoscópio enturvecido
Com gotas que mais parecem linho
Usando roupas de couro
Nos pés grilhões de prata
Carregando a sua espada
Entre os dedos as contas do terço
Cantarolando uma novena
Até que se faça a chuva
E a morte enfim permita
À vida um terço de contentamento
No sertão da alma ardida
Fulgura a esperança
Como faca afiada
De sua luta nunca cansa
Em tempos de agonia
Levanta as mãos e canta...

Até onde deve chegar?

Por Judah e Adriano

10 de mai de 2007

Suspiros à meia luz

Uma luz rasgou meus olhos
Como súbita miragem,
Plasmando em sua boca entreaberta,
Ardendo em seus seios nus.
Te fiz em meus braços,
Juntou-se mãos e lábios,
Pelos pêlos e pele,
"Frio e calor",
Nesses tremores silenciosos.
Percorro rabiscos em ti
Transpirando sob meus dedos,
Abrindo sentidos.

E em meio a nós
Antecedendo pensamentos,

Em meio ao ar
Precedendo suspiros,

Em meio aos lençóis
Flertando movimentos,

Calmo e caótico
Medo e amor...

11 de abr de 2007

Desilusão ( O último fim do que se foi )

O último sorriso se desfez no que então
Se disfarçou como um simples desejo
Na tentativa de forjar esquadros de nós
Em nossa cena de santos diabos num beijo

O último desenho pairou em seu olhar
Como rabisco de felicidade
Nos lábios tristes
Num canto sem voz

A última vontade insana
De permutar meu corpo no seu
Lábios, pêlos, mãos e sons
Se desfez como fim de sono
Despertar desesperado
Subito fim do que já era acabado

Nossos desejos dispersos no nada
Olhos que a horas passadas após essas
Desejariam nem ter te encontrado
Nem seus lábios sentido os meus
Pra nas horas que vem após essas
Ainda querer sentir

Deixe meu olhar fugir
E não me impeça de durmir
Pois o que tanto queríamos
Figurou-se enfim
Um equilíbrio perdido
Um feliz fim
Pois eis aqui meu bem
Dedico a ti
O nosso pecado perfeito!

28 de mar de 2007

Elevada imensidão ( Ou serra da fumaça )

E lá no alto dos meus sonhos
Onde o carcará canta e faz saltos no ar
Eu tento ganhar asas e voar
Onde os pensamentos são dispersos
Tateando a imensidão
No mais alto dos desejos
Tal qual a positiva vibração
Soam ecos do bem
Para aos ouvidos de meu bem
Se fazer assoviar
Pois bem o que a gente não tem
É o nosso maior bem
Em que da livre
Um leito lento e fundo
Manso e negro
Por que todo bom fim
se acaba num novo começo

14 de mar de 2007

A ultima lembrança até então (ou Em carne morta)

Essa é a ultima lembrança que tenho... Estava sentada a mesa... Acordei com as costas ardendo, me apoiei sobre as muletas em uma busca inútil por um pouco de equilíbrio.
Gargalhadas rasgadas em trapos ecoavam
no vão que ocupava todo o espaço entre os giros de meu cérebro,
interrompidas somente pelo barulho
insitentemente produzido por um isqueiro sendo acionado,
no outro canto do que eu julgava ser uma cozinha.
Agora sei que não estou só, consigo até enxergar algo,
com o auxilio de um ponto de luz produzido por um cigarro aceso,
entre dedos um pito apertado.
As palavras que ouvia não eram conhecidas...
Foi então que tive mais uma visão: Havia um carro e eu estava lá,
Em algum lugar entre os pneus e o para choque...
Eu havia morrido... Mas como?
E esse cigarro quem o segurava?
Beije-me os pés!
Aquela voz... Parecia-me conhecida.
Era a voz que toda noite me dizia pra não temer
Pois o razoável é vão
E o que realmente importa não podemos alcançar...
A silhueta então se fez clara,
tão clara que por um instante fiquei totalmente cego
Quando retomei a visão Estava eu diante de mim, eu só...
Olhando pra porta de minha casa aberta,
Lá fora corriam meus filhos,
em direção ao ponto de ônibus
Passei a mão no rosto e novamente esqueci
Conto-lhes assim que lembrar.

8 de mar de 2007

°°Frequência°°


Em um largo espaço de probabilidades

Vi meu corpo rente ao tempo

Livre em mente

Vivo constantemente

Os sonhos queimam livre

Liberdade!

...

Os jornais já não dizem o que gostaríamos de ver

Sentir; sorrir; pular;correr...

Viver!

Contração; Contração; Contração;

Sintonia!

Outra vez

Sintonia!

...

Pra viver

Um pouco mais de sintonia.

...

Uma palavra para aliviar

Uma gota para molhar

Um infinito para buscar

Semente para plantar

Corretivo para disfarçar

A farsa

...

Numa freqüência demasiada iludi e formata

...

Sentar e ver

...

Correr; tentar... Pra olhar e ver talvez Trasmurecer.

...

Resta a esperança

A esperança

...

Mais ilusões pra viver.

19 de jan de 2007

Bem astral (moça do litoral)


Estava lá eu, eu só

...

Estava

...

Vendo o dia chegar e passar

Vendo tudo nascer (florescer) morrer

Foi quando avistei no alto um ponto mais alto do que já havia imaginado

Sendo você o ponto no alvo

Tão bela tão linda

Gotas de cristal

Flor do litoral

Beleza surreal

Serena sereia do mar

Paralisando meu ser

Cristalizando meu viver

Pra viver...

Você se vai a noite cai o dia acaba

E tudo se vai...

Mas o sonho...

O sonho Não morre jamais...

E lá eu só... Estava lá...

Vendo o dia chegar e passar

Vendo tudo nascer (florescer) morrer

12 de jan de 2007

travessia ao outro lado (O menino e a rua)

Olhou firme para o horizonte
Como quem encara o opressor
Um desconhecido sedutor
Apertou os dedos na correia do chinelo
Suas mãos suadas
Apertando com rigidez duas moedas
Esperou o cavalo de metal se esvair em suas vistas
Sentiu o seu momento
Esse era o momento sólido
A passos rasos seguiu avante
E nem iria voltar
O sol sobre seus ombros
Não havia dragões
Nem libélulas gigantes no céu
Ele iria chegar
Já estava no meio pro começo
Ou no meio do fim de seu ato
E os maiores o olhavam desconfiados
Mais ele seguia reto
Pelo ínfimo intento de voltar
Os altos chaminés não iriam o parar
Conseguiu a calçada alcançar
Reparou a vitória no intimo
Chegou até trupicar
Mais três passos largos
Seu luzeiro já podia avistar
Nem o bixo papão poderia evitar
De seu fado do dia alcançar..
Entrou pela abertura de entrada:
-Seu padeiro, eu quero uma broa!

10 de jan de 2007

Lei nº 1.807 ( ou Sodoma)

Na límpida mão estendida
Cabe apenas um sorriso
Um coro de almas
O chacoalho do guizo
Entre gritos de apelo
o metal corta o vento
Uma marca feita a brasa
descansa em seu ventre
toda noite entre as curvas desse céu
entre um feixe e outro de claridade
a sombra do oculto usa o véu
soprando no ar da vaidade
Mais um soneto de saudade
E pela manhã o sol não brilha
Todo encanto se perde
E as lembranças são ilhas
Cercadas pela maldade
As lembranças são ilhas
Fingindo identidade.

9 de jan de 2007

Caos em 3ª pessoa

É como o estampido de uma bala no silêncio da noite
-Corre menino, que o seifador já vem!
e pula o muro
e corta o vento
e emudece as palavras
estava ali caido sobre se
em cima da propria ferida gélida
tão natural como o parto na senzala
veio a sentença:
-A vida lhe foi tomada
a mesma vida que outrora lhe pertencia
agora descansa entre outros muros
em outras toadas de berrantes
mais um entre os meus tantos burregos
como em uma profecia:
-findou-se por ser pó.

Queda livre (ou conto do indigente)

Isso não é apenas uma metáfora
a história mais uma vez me fez acordar
e ninguem vai me fazer desistir agora
os seus olhos são os espelhos,
mas as luzes cegaram-me as vistas
se todas as janelas estão abertas
então temo por minha vida
nos flancos entre as mesmices do nosso cotidiano,
busco agora um salto que possa acalmar toda a dor
no silêncio do meu pranto
entre o primeiro grão de areia
e a lona entreaberta
aqui ou em outra estação.

4 de jan de 2007

Amanhecer (moça da saia verde)

As nuvens se abrem pra sentir
A luz em seus olhos nascer
E as ondas desenhos nos faz
No céu o sol conceber
Rasgando o silêncio do ar
Teus pés areia e sal
tocando as pontas do mar
É onde me perco na vontade
E o horizonte pode espiar
Em ti eu me atirar
Em seus lábios os meus
Os pássaros por nós cantar
Poder sentir os seus seios
Trasmutando calor
Transmitindo amor
intenso
pecador e passsageiro
E a lua vai sumir
E você vai fugir
Pode fingir
Se talvez
você pensar em ficar
Até o sol vai sorrir
E as ondas vão cantar
Cantos de ilusão
coração
Ter você pra mim
E a noite morreu,
E o sol vai nascer
Pra você
Que nem conheci...

Ad infinitum (ou quatro amigos numa tarde de sol)

Um alguém disse
irmãos de vida,
dividindo esse mesmo cordão umbilical que poucos vêem,
sem ciúmes, inveja ou pena!
que caminhando só
por rotas tortuosas
repara que só não está,
e não prescisa desse mundo mutante
para se interligarem,

O outro qualquer falou
somos herdeiros de um só terreno,
somos todos herois compartilhando
um mundo pequeno,
salvando uns aos outros...
e no alto do morro que somos,
cabe apenas dizer que impreterivelmente,
sejamos todos uma só
fonte intermitente
como fora o rio,

então um outro disse
e nem se sente que começa ,
mas faz de tudo pra não terminar,
assim como o horizonte no mar,
inicia-se num certo lugar
e mesmo com todas ondas a enfrentar,
se for realmente verdadeiro
consegue perseverar,
e como belos irmão
chegam ao lugar
predestinado...
mar,
sangue,
irmão, amizade, ondas...

e um outro olhou e sorriu..

e os corpos ocuparam o mesmo lugar...

por Adriano, Gleydson, Jairo e Judah

11 de dez de 2006

A senhora, seu neto e a rua

Ô Minino tu toma cuidado,
Com esse mundo que é brabo,
Esse mundo é cão, criança,
Cão astuto e voraz,
E de tudo ele é capaz,
Pra num te deixar se assussegá,
Repara por onde vai pisá,
Deixa os zóio sempre aberto,
Pra ele não te aderrubá,
Ele vai te aperriá,
Vai tentar te amedrontá,
Mais não deixe ele te calá,
Mande ele se daná,
E continue a feliz cantá,
E se ele tentar te convencê,
O fure no bucho pra ele se apercebê,
Que vóis mincê,
Num é qualquer ser,
Que se deixa aprisioná,
E agora vá lá pra fora
Pru mode ocê com o mundo brincá,

Pra Lívia

Ela é moça,
ela é bela e pensante
é um ser em fuga constante das amarras sociais,
ela para e olha o que eu não sei,
ela ousa sonhar,
ousa desejar,
e tenta voar,
ela é serena e forte
talvez menina, talvez mulher
ela e Lívia,
e com ela quero voar.

10 de dez de 2006

Cavaleiro de Latão II

O que buscas cavaleiro?
A omissão do real é a redução da dor ,
De olhos fechados sentimos menos medo.
Repare quem és cavaleiro !
Humano fraco,
Tropeça a cada passo,
Com suas pernas fracas e finas,
vai tateando até não achar mais paredes ou grades.
És um boneco de fantoche apenas cavaleiro,
de um palco sem platéia
Sinta a ardência que o sol lhe causou na alma,
As cordas rasgam a sua pele
mais a todo nascer do sol elas estão lá,
Em seus ossos fracos!
De uma alma simples e orgânica
que tampouco o sacia em seu cognitivo!
O que importa então ser comum?
Alguma coisa realmente importa?
...

por Adriano e Judah

9 de dez de 2006

Simples Querer

Eu não te juro amor eterno,
Porque não sou senhor do tempo;
Não te juro um amor bonito,
Pois a beleza é questionável;
E não te juro um amor perfeito,
Porque a perfeição nem existe.
E se existisse
Por si só seria imperfeita.
Não te juro um amor pra recordar,
Porque iria haver de te esquecer antes;
E nem te juro um amor puro,
Pois amar já seria o nosso próprio pecado;
Mais te juro amor intenso enquanto amar;
Te juro um amor imperfeito,
Pra sermos dignos de redenção;
E na falta do que fazer,
Que a gente fique de ponta cabeça
Pra fazer tudo de novo,
E possa inventar a nossa liberdade.
Só te juro um amor tranqüilo
Enquanto amor;
E em tanto pensar pensamentos impensáveis
Pensando como não me apaixonaria
Por você,
Eu decidi parar de pensar;
Só querer,
Então me queira também!
Por que as coisas são quase tão simples,
Assim,
como um simples eu te amo!!

Não, Talvez sim !

Por necessidades adquiridas do cotidiano,
E em ser enrolado em simples camadas,
As cores de sua tinta se apagou,
E dos seus dedos em calor,
O último romance se findou,
E da cinza que restou?
Na tinta em seu olhar
Finos fios de linha nos segurou,
Perto de perder o amor,
Um amor pelo vício,
Nos lábios seus,
No escuro do céu,
Em uma lua azul,
Mostrando se em desejos irreversíveis,
E no fim do amor?
Talvez chova,
Talvez um erro,
Talvez falte luz,
Cegos?
Talvez falte a ciência da natureza inconsciente,
Talvez falte o plasmo do desejo mútuo,
E em nós
Reste apenas nós sem nós,
Pra reparar em nós o que nos faltava
Pelas nossas nessecidades
Adquiridas da alma
Transparente e sem cheiro,
Desejos?
Sim, talvez não.

Cavaleiro de Latão I

Um cavaleiro pobre
De chinelo
Buscando o que nem mesmo sabe,
És um guerreiro errante,
Sua arma
Um canivete suíço,
Em sua armadura dizeres estranhos para ele
" I LOVE N.Y.".
Mais o que ele tem de bom?
O horizonte é a sua razão,
Aquela linha que divide o líquido do seco,
Mais ela foge de nós, dele,
Ela tem o que queremos,
Ela ostenta algodão doce e anil,
Ela vai muito além do que se vê,
Só que os que nos seguram pelas cordas
Não querem nos deixar ir até lá,
Onde ela repousa, onde ela se cruza sobre si,
Ela é simples e fulgás,
Ela está no visgo da palavra,
No gosto amargo do imperfeito,
Ou perfeito?
E o cavaleiro cheira ao pó,
Tem os pés calejados pelos cascalhos
Cavaleiro fraco e só,
Face marcada pela espinheira
Olhos secos como o sisal,
Procurando por um resquício de luz,
A luz das mãos do poeta.
Mais ele nem sabe o que busca,
Como a reconhecerá quando a encontrar?
Talvez ele não deva buscar...

por Adriano e Judah.